domingo, 3 de abril de 2011

DEPRESSÃO-UM DOS PROBLEMAS DO SÉCULO:

A Depressão é uma psicopatologia que pertence ao grupo dos Transtornos de Humor e é, de longe, a mais conhecida e é considerada um grave problema de Saúde Pública.
É uma doença sistêmica que afeta o sistema psíquico (humor, pensamento, cognição e motricidade), o sistema vegetativo (sono e apetite) e vários parâmetros neurofisiológicos.
A sintomatologia da Depressão pode variar de paciente para paciente, sendo que destacaremos os sintomas mais comuns:
SINTOMAS PSÍQUICOS
  • Tristeza;
  • Falta de vontade;
  • Pessimismo;
  • Incapacidade de sentir prazer;
  • Perda de interesse sexual;
  • Baixa auto-estima;
  • Perda de memória;
  • Dificuldade de concentração;
  • Ideação suicida;
  • Sentimentos de culpa;
SINTOMAS FÍSICOS 
  • Fadiga;
  • Falta de energia;
  • Indisposição;
  • Alterações de peso;
  • Alterações de apetite;
  • Alterações do sono - insônia ou sonolência excessiva.
Tais sintomas devem ser persistentes (pelo menos duas semanas de duração) e causar uma interferência significativa no funcionamento do indivíduo, seja na esfera social, profissional ou familiar. De acordo com a OMS, uma em cada cinco pessoas terá pelo menos um episódio depressivo ao longo da vida. Estima-se que, por volta do ano 2020, a Depressão seja a segunda causa de perda de produtividade, sendo superada apenas pelas doenças cardíacas. Deste modo, a Depressão se aprensenta como um dos mais graves problemas de saúde pública da atualidade e, dada a a crescente exposição a fatores de Estresse, supõe-se que haja um aumento progressivo na incidência e gravidade de tais casos em um futuro próximo.
Foi através das descobertas e teorias que se estabeleceram por mais de meio século através da Psicologia Moderna, que hoje é possível afirmar que a Depressão não se trata apenas de uma doença psíquica, mas sim sistêmica, ou seja, uma doença que  atinge o organismo como um todo e que apresenta as bem estabelecidas alterações Mentais e Psicológicas no Humor, apresenta também as alterações Fisiológicas no cérebro, tais como alterações nos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e dopamina) e atrofia de algumas estruturas cerebrais, além das várias repercussões em diferentes orgãos.
A Depressão tem se mostrado tão intensa e marcante que estudos recentes têm demonstrado que:
  • a mortalidade por qualquer causa encontra-se significativamente aumentada entre as pessoas que sofrem de Depressão;
  • o risco de eventos cardíacos graves (por exemplo, infarto agudo do miocárdio) é o dobro para pessoas deprimidas em comparação a indivíduos sem histórico de Depressão;
  • há o aumento do risco de morte após infarto agudo do miocárdio, de angina instável e risco pós-cirurgico para tratamento de obstrução de artérias coronarianas nos indivíduos com Depressão;
  • doenças como: diabetes, osteosporose, hipertensão arterial e Doença de Alzheimer também ocorrem mais frequentemente em indíviduos com Depressão;
  • doenças gastrointestinais como: úlcera péptica e síndrome do cólon irritável, também têm a sua incidência aumentada;
  • antigas teorias defendiam que o aumento de prevalência de doenças físicas em pacientes com Depressão, estava relacionado às limitações impostas pelas doenças físicas em questão, porém, estudos epidemológicos recentes têm refutado tal hipótese, visto que a Depressão precede tais doenças na grande maioria dos casos.
Outra importante fonte de problemas relacionados à saúde em pacientes com Depressão está relacionada às diversas alterações metabólicas presentes durante o curso desta doença. Além da Síndrome Metabólica, há importantes alterações hormonais na Depressão, sendo a principal delas um aumento persistente de cortisol, uma espécie de corticóide produzido pelo próprio organismo. A elevação persistente deste hormônio ou mesmo a administração prolongada de corticóides encontra-se associada a diversos problemas de saúde.
Concluindo, a Depressão é uma doença sistêmica cuja elevada taxa de mortalidade não está associda apenas à elevação do risco de suicídio, mas às diversas doenças clínicas associadas. A boa notícia é que existem tratamentos eficazes para a Depressão e os investimentos para pesquisa do desevolvimentos de novas técnicas psicológicas e de novas moléculas com propriedades antidepressivas têm sido crescentes. Ainda em tempo, os tratamentos adequados à Depressão (medicamentoso e psicoterápico) revertem os riscos de doenças físicas e seus danos consequentes, ocorrendo uma melhora completa de todos os sintomas supracitados, quando levados a sério pelo paciente e pela família (que em muitos casos ainda não crêem no poder e nos malefícios desta doença).

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